Da varanda vendo as luzes da madruga ele se perguntava. “Haveria chance?”. Pela primeira vez em muito tempo ele se permitia a dúvida. Desde dias que deixara a estabilidade para trás. Desde de dias em que o companheirismo e a parceria se tornariam uma coisa distante no tempo. Coisa dos dias em que havia com quem dividir. E hoje tudo isso não passa de um amontoado frio de cinzas, de uma fogueira de noite passada. Tempo perdido. Ventava, fresco, seus olhos acompanhavam a movimentação das putas e travestis nas ruas. Senhoras e Senhores da própria vida...Animais evoluídos num mundo de modernidade simiesca. Ele voltou os olhos para dentro do apartamento, a “trepada” mais recente se entregara ao mundo dos sonhos. Tinha um belo corpo, um cabelo muito cheiroso, um desempenho sem precedentes, mas era simplesmente insuportável no quesito conversa. É assim, “Deus em sua infinita sabedoria presenteou os belos com a chance de foder com todo mundo, mas em contrapartida rendeu-lhes a futilidade e burr...
textos, contos, rabiscos, percepções.