Ele não dirige. Não tem carteira de motorista, nem carro. Ele sabe que um dos fetiches máximos da sociedade de consumo não o afeta. Ele preferiu ler, conhecer gente. Ele preferiu o curso de desenho aos dezoito anos, ao invés de uma poupança que lhe desse um fusca. Aprendeu como office boy que as ruas são mais vibrantes do lado de fora. Carros, carros têm aura de poder e status, em nosso mundo, que a maioria não compreende, simplesmente obedece ao desejo embutido sistematicamente. Vide a propaganda, feita para um único extrato de nossa sociedade. Protagonizada por lindas fêmeas, servis e fascinadas por bancos de couro e motores possantes. A distorção da propaganda, do querer a real potencia de um certo nervo e o cheiro de pele em prol da venda do produto.Tudo para o macho, branco, com o “poder aquisitivo”. Entende que “aquisitivo”, vem de adquirir, de possuir. E o macho-branco dominante de seu bando, tem que ter o signo da posse. Muito mais que um mecanismo de transporte, utilitário, o ...
textos, contos, rabiscos, percepções.