A voz familiar no telefone havia feito o convite á dias. Diferente de como se dá o ritual normalmente não era um belo papel timbrado, com alto relevo e letras gravadas em tinta dourada. Foi com a voz grave, até meio italiana, como sabia Ele ser a origem do amigo, que se deu. “Venha á minha festa, venha á festa de meu casamento”. Não era o primeiro convite desse tipo que recebia.Alguns dos poucos verdadeiros amigos de sua vida, já passaram pelo ritual. Ele esteve presente ao enlace de alguns. Passando-se dos 30 anos, isso vira quase uma rotina para quem mantêm os amigos próximos. Assim ele percebe o amadurecer e o medo da solidão, e viu que muitos “amarravam-se” pela iminência de um futuro do lado de fora da porta, ou simplesmente por não conseguir sair de um modelo que perdura em repetição geração a geração. Ele ficou feliz pelo amigo, lisonjeado por si e empolgado por saber que festas de casamento, ainda mais em bairros periféricos são mais que a celebração do vínculo sagrado é o conj...
textos, contos, rabiscos, percepções.