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Showing posts from 2011

A segurança de um coração tranquilo

Vejo meus passos largados atrás Fazendo uma trilha que vem de outrem e chega a mim Não era o mesmo até então, mas é quem sou agora Me lembra como um grande mostruário de batalhas. de derrotas. de luta. de vida conquista. construção. continuidade e finais. Eu não ergo hoje uma bandeira Em ego exacerbado de toda vitória Eu a uso como um aceno, uma marca de onde estou Sem medo, vergonha, ansiedade ou rancor Meu navegar é claro, minha trilha, reta Eu não sei se a mão estendida mim permanecerá Eu só posso dizer que confio Mesmo que seja por um fiapo de instante Por um dança a beira do abismo Ou o momento sublime no sono como aconchego Pois todas guerras foram vencidas, e as batalhas apenas se reproduzem E o único prêmio é A segurança de um coração tranquilo

24.12.2011 - 16 p.m.

24.12.2011 - 16 p.m. o sol reseca o solo em pó desfazendo-o em grãos de tempo novo na poeira ancestral a chuva traz o que foi roubado e devolve fresco em minhas narinas o cheiro de minha infância. foto: A tempestade chega (Marcelo Fonseca)

Contando.

Sentindo como se a jaula fosse romper. E como se eu pudesse correr sem saber a direção. Talvez o trabalho não seja ruim como se pretende. Ou seja demais para se acreditar. Fato é que o medo aperta seu estômago até quando se é pela felicidade. O medo derrete a certeza. Na confiança frouxa só o ditado do velho pai. "Cachorro mordido por cobra foge até de linguiça". o relógio corre. sem piedade. foto: rodrigo kristensen: http://rodrigokristensen.tumblr.com/post/8303194050/my-windows-view-of-sao-paulo-taken-with-instagram

Vivere

Não se faz omeletes sem quebrar ovos A vida também é assim, nada muda se não existir ruptura Elas nos rasgam ao meio e nos ensinam Nos mostram que nossas certezas outrora tao bem construídas São frageis, etereas e estereis. Cada dia uma lição, cada dia uma necrose que reverte Estirpar o medo, o cancer e seguir no que é bom que se pode ter Cultivar o coração tranquilo A paz que se multiplica no sorriso e no subjulgar de nossas arrogancias

Calçada

vi suas costas ao longe seus cabelos descendo soltos continuei meu caminho em sentido oposto os movimentos eram os mesmos os braços iam e vinham o sorriso brilhava na face dela e não me vi mais ali naquele passado

Pedaços.

Os simulacros desmoronam junto das ilusões dadas como certas. É preciso lidar com o mundo fora da janela. Encher o pulmão de fuligem e tirar de lá o ar para sobreviver. Abrir os braços. Gritar com pus nas cordas vocais. Enfrentar os demônios insones. Apagar as vozes invasoras de sonho. Ficar os dedos dos pés, como se fossem raízes anciãs Ouvir o lamento mineral da terra No chiado da areia que grita em coral com a água. Aprender. mais. mais.mais. Moldado foi o coração duro em concreto Cheio do magma dos sentimentos Deixe o passado cego voar e flutuar como plumas E caia alvejado se for o que tiver de ser Flexione as pernas Ponha o olhos no zênite infinito E que o amanhã venha novo e possível.

Permissão a mim mesmo

Eu mirei os olhos da noite Senti o cheiro das flores da escuridão Me faltou umidade de um ar seco e descompassado. Senti certezas espatifarem-se no mundo sem fim da possibilidade E corri sem medo, pela terra que já conhecida de minhas lembranças e minhas alegrias