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o jardim das flores negras

Durante a existência de todo ser, a sua vida é a luta, de ser, de sobressair e de sobreviver. A superação da dificuldade, cria a força que aumenta no ímpeto de seguir adiante. O trauma faz parte do aprendizado. Ele ensina os limites e mostra até onde. Delimita a força a ser feita para vencer o desafio. Existem os homens de aço, aqueles que incorporam em seu ser o mito do super-homem. A dura carapaça camufla a fragilidade, esconde o medo. Camadas de segurança costuradas firmemente pela confiança. Mas o que é o desatar do nó? Ver-se se esvair a malha segura sendo puxada por um fio solto. Aquele medinho mais secreto no cantinho da alma, desfazendo a trama. Para que o outrora confiante, seja tragado pela autopiedade. Acovardar-se, deixar a oportunidade, e acariciar a tristeza. Temer não é crime, temer é saber até onde ir ciente de sua dificuldade. Mas o temor desmedido, num rompante romântico gera esse mau crônico de que “todo mal do mundo se abate sobre mim”. Síndrome de vítima. Se mata o sorriso por uma carência auto-indulgente. Reverencia-se a Dor. Não olhando as cicatrizes como prêmio de superação, mas de uma dor que já deveria estar morta é cultivada tenazmente para se chamar atenção. E louve-se , e cultive-se o jardim das flores negras. Pois é bela a tristeza do autopiedoso, é bela a sua dor, mesmo que cultivada para que nunca morra. Não sou juiz. Não sou terapeuta. E por mais aço que eu ponha em minha armadura para sobreviver á mais um dia, eu sei que não tenho vocação para vítima. Eu deixo este papel á todos os bem aventurados, discípulos de Buda, Krishna, Gandhi, Cristo ou o caralho á quatro, que tem o espírito preparado para isso. E que fodam-se todos os psicólogos e conselheiros, pois o clamor das chances devem ser respondidos á quem lhe é dirigido. A “auto-ajuda” não é ensinada por ninguém, ela é descoberta em si. Eu felizmente sou só um homem. Que se constrói por si. Que pode abraçar e negar o perdão, que beija e que odeia, que leva o limite de suas paixões. E sente-se feliz por estar vivo á cada dia.


texto velho, lembrete diário (na guarda guerreiro, levanta a cabeça).

Comments

Viny Rodrigues said…
Ontem mesmo, eu disse para uma pessoa que teve uma breve, porém intensa passagem pela minha vida(você sabe quem é), ao ser questionado se "já estava tudo bem entre nós?"
Eu respondi:
- Sim, está tudo se encaminhando, afinal de contas é preciso escolher entre ser vítima, coadjuvante ou senhor de si mesmo. Eu última opção!

Abraços Malander!

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