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gandula.

A bola de capotão ganha o vazio tranqüilo dos céus azuis do Bom Retiro. É um dos poucos momentos de paz que a esfera tem nos prováveis 90 minutos que irão se seguir. Disputada com vigor e dedicação entre 44 pés (e quem sabe , fora à vista do juiz, algumas mãos não autorizadas também) ligados á olhos aguçados, cérebros de raciocino rápido que montam em velozes conexões mentais, esquemas, para que a pelota adentre o gol adversário. As instruções dos muitos “técnicos”, e “peritos”, são praguejadas, esbravejadas com força, desabando pelo ar das gargantas que ocupam as arquibandas. Obvio que movidos pelo calor do dia, e de um desejo quase primal, ao lado de fora dos rudimentares alambrados. Os pretensos treinadores, cada um de seu lado da lateral, também gritam, pensam, xingam da beira do campo. Incrível como parecem surdos, como mantêm-se aparentemente frios em meio a tanta agressividade. Rememoram seus craques, cobram posicionamentos, estimulam e aplaudem bons lances. Do mesmo modo que não se rogam a demonstrar o poder de sua posição para com os que não seguem suas recomendações. Nas suas costas estão os reservas, torcendo pelo time e pela falha de algum companheiro para ter um chance na terra batida.
Ele observa tudo com atenção, veste uma camiseta azul, dada pelo organizador do “campeonato”, o “racha” no linguajar dos velhos próximos do ponto onde está parado. Estava ali mais a trabalho do que por prazer. Tinha os jovens olhos castanhos fixos e atentos a tudo. Ainda assim admira-se do talento de muitos. Padeiros, torneiros mecânicos, motoristas, pedreiros, que em um Brasil de fabulas e sonhos, arranjaria o talento desses, em outros campos que não atrás de fornos, máquinas, volantes e ferramentas. Ele ainda não sabe, mas foram proletários assim que ergueram neste mesmo Bom Retiro o time de seus tios, pai, irmãos e Dele. Lembra-se de tantas vezes quando garoto menor que acompanhou o pai, beque central do time da fabrica, que fechava a zaga de forma quase brutal. Essa fração de segundo, nessa fagulha de memória traz o pai, com as feições que Ele terá um dia, mas com o corpo forte de quem trabalha no pesado,cabeludo e de barba, no uniforme preto e amarelo do time. O gaveteiro de suas memórias ainda é jovem, ainda não abarrotado, e mesmo com atenção noutras coisas, lá tem espaço guardado para as viagens ao interior do Estado com o time, de ver o pai aventurar-se depois num futebol mais acelerado e diminuto de salão. Se não estivesse concentrado na peleja que se desenrola na sua frente, iria lembra-se também dele esmurrando adversários pela várzea, em brigas coletivas. Lembraria também do dia que foi posto a nocaute por uma bolada no rosto por ficar na borda do campo ao contrário do recomendado pelo pai. Ele iria sorrir se lembrasse que foi socorrido por metade da zaga e pelo goleiro adversário ao ouvir os esporros emputecidos de seu velho.


O jogo não só é de homens contra homens, mas de vontades anseios, e atritos, que se conforma uma situação onde na tensão emocional, onde abater o “moral” do outro é ingrediente que facilite o objetivo de gol. Nessa partida no tradicional bairro de judeus e comerciantes de roupas não é diferente. Já diria o velho cronista esportivo que a partida se ganha dentro e fora do campo, não só dos onze de cada lado, mas também com o ente que se transforma no décimo segundo jogador: a torcida. Mesmo não estando num estádio propriamente, o comportamento de amigos, parentes e entusiastas da várzea rivaliza com o das enormes torcidas que lotam as arenas do futebol profissional.

O samba é trilha sonora. Nas mãos e vozes de ritimistas que alegram botecos periféricos, além de toda festa que brota daqueles que vivem a dureza crua fora do grande centro, com vozes afinadas em samba-enredos, que trazem o moral, a auto-estima para seu time. Estes se entregam ao amor de espancar a pele de seus instrumentos na farra do carnaval e escolas de samba, e adaptar a alegria dos galpões que constroem sonhos de um só dia, em vozes de estimulo na arquibancada.

O campo deste embate, fica entre um córrego que deságua no Tietê, e uma fábrica abandonada. Cercado por muros com um “centro social” e vestiário ao fundo do terreno. Aliás, o centro social é uma mesa de bilhar (com o pano rasgado), uma geladeira, uma estante com salgadinhos, separados por um balcão que só não se confunde de vez com o vestiário pois tem uma pequena porta entre ambos. Ao contrario do que poderia ser tido como “estranho”, colado junto ao campo existem duas arvores centenárias, talvez velhos carvalhos que servem de ponto de observação estratégica a vários que não quiseram ocupar as arquibancadas que tremem á proximidade de cada gol.. Na rua em frente estão estacionados carros velhos e ônibus de viagem, enormes latas, com janelas estreitas e cortinas amassadas, que já vão pela hora da morte, corroídos pela ferrugem e o tempo, meio de transporte que ao observador não treinado confunde por trazer todos juntos, time, comissão técnica, diretoria e torcida.

Ele chegou junto com a organização, num carro á parte.foi apanhado na marginal Pinheiros, às 7 horas da manhã deste sábado. Faziam companhia no carro um mesário (um ex jogador famoso 2 décadas antes agora aposentado e metido em organizar o esporte na várzea), o patrocinador (um deputado em ascensão morador do bairro), o chefe Dele no trabalho, que fazia as vezes de organizador do campeonato (que ofereceu esse “bico” de fim de semana, ao jovem office boy, ao valor do que faltava para Ele comprar o tênis que tanto queria), noutro carro seguiam os juizes cedidos pela Federação Paulista de Futebol e outros dois garotos, também office boys, que toparam o biscate de gandula.

O futebol para alem de toda paixão que traduz, é antes de tudo uma celebração. É o motivo para o churrasco, para a cerveja, a caipirinha e o samba. Quadjuvante de alegrias e tristezas nos pés e corações de tantos da borda da cidade. O glamour do esporte bretão, criado para divertimento entre as elites inglesas, aqui no planalto paulista se espalhou sem controle de detratores sociais. Tomando a várzea, os terrenos abandonados e semi-planos da periferia, improvisado traves com pedaços de pau, canos, erguendo dos campos de terra batida, poeirenta e vermelha, que se faz lama na umidade e chuva dos dias.

A grama é o sonho dos aspirantes, daqueles que ainda não tem um uniforme definitivo e um brasão sobre o coração, que se inscrevem e aparecem em peneiras. É a perspectiva de ascensão para mostrar seu brilho entre 200, 300 garotos numa manhã qualquer, por míseros 10 minutos de exibição. Motivo para comprar a Gazeta Esportiva e sonhar, de jogar bola no asfalto da rua com golzinhos minúsculos improvisados com qualquer coisa, gritando o gol imitando a voz da locução esportiva no nome do craque predileto. De ser torcedor, com o ouvido colado no radinho de pilha e se imaginar dentro do Pacaembu, do Parque Antártica ou do Morumbi. Que assiste os jogos do “Desafio ao Galo”. Ele foi um desses numa época anterior. Acompanhara o pai ao Pacaembu para ver o Corinthians. Vestia junto a tios fanáticos, versões diminutas do manto dos mosqueteiros de São Jorge. Em casa junto à mãe que falava do Santos de Pelé de uma era de ouro, pegou gosto de ouvir o rádio. A televisão não tinha tanto romantismo, faltava o amor, a empolgação e a classe de um Fiori Gigliotti. Este parecia narrar a velocidade da luz, lances que sequer haviam acontecido, o locutor gritava, contagiava, e sabia o nome de todos em campo, apresentando e fechando cada partida como um acontecimento da mais alta estirpe. Uma voz de galhardia: "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo", "E o tempo passa...", "Agüenta coração!", "Crepúsculo de jogo" e emoções á altura. E Ele, esperava cada partida, ao lado do rádio de casa, enquanto os irmãos mais novos preferiam a tv, empolgava-se com a locução, os efeitos, os comerciais, mesmo que por algumas vezes sequer entende-se o que se passasse nas jogadas.

Tinha 15 anos. São Paulo se mostrava a Ele como um monstro labiríntico, uma esfinge que cospe enigmas por suas ruas. Vinha da borda da cidade, ainda se acostumava a vir chacoalhando em um ônibus que rodava mais de duas horas para chegar ao seu destino, o trabalho como office boy. Tinha ainda remela nos olhos, acordar as 5 e 30 é para poucos, caminhar meia hora de sua casa até o ponto final do ônibus e ainda esperar na fila junto á m empregadas domésticas, pedreiros, porteiros, era divertido. Sempre gostara de observar pessoas. Seus trejeitos, modos de se vestir, de se portar. Gostava de reparar os sotaques diferentes, os tons de pele. Tentava imaginar de onde as pessoas vinham, para onde iam. Carregava dentro da mochila, uma marmita retangular de alumínio, feita cuidadosamente pela mãe, que pensava as proporções do jantar á mais para que seu filho também tivesse um bom e saboroso almoço. Fazendo companhia á marmita na mochila, seus livros, cadernos e quadrinhos. Este é o primeiro emprego. Garoto franzino moreno, cabelos negros como o dos pais, os olhos castanhos e estreitos, e o nariz afilado da mãe, com os lábios carnudos e queixo que vai se contornando adulto que será idêntico ao do pai. Tem ainda um pensar confuso sobre gostos, amedrontado com o tamanho de tudo, excitado com as possibilidades, e com uma porção de cenários que só via pela televisão. Da janela do ônibus notava o quanto morava distante, o quanto a paisagem da cidade o chamava, o deixava curioso. Estava desenvolvendo o habito de decorar nomes de rua, vital ao seu ofício. Assim como memorizar as feições dos edifícios mais altos e o bairro onde ficavam. É seu jeito de compor o mapa mental. De descobrir que a Liberdade é próxima da Sé. Ao lado da 23 de maio, que a rua Maria Paula é o caminho mais rápido de ir da Sé a Consolação...que Higienópolis dava no Pacaembu. No miolo da praça Charles Miller, nome “pai” do futebol brasileiro. Que a Francisco Morato, avenida próxima de Sua casa, passa ao lado do estádio Cícero Pompeu de Toledo, no bairro do Morumbi. Como todo morador desta cidade, o futebol mesmo que não querendo ia entrando em suas veias.
Estava ali para suprir as bolas em campo, e buscar as que eventualmente se perdessem para além dos muros do campo. Seria dinheiro fácil, o campeonato não durara mais que 2 fins de semana e de fato essa era a partida derradeira.Ao entorno do campo estava cheio, um dos times da zona leste trouxe muitos moradores de seu bairro para prestigiar a partida. O outro local, por ser local mesmo, já tinha sua torcida garantida por estar jogando em casa. Nada era de fato perigoso, 3 guardas da policia metropolitana estavam presentes mais para impor o respeito e nada transcorrera fora do esperado. Tudo tinha um clima de festa, no fim do primeiro tempo as churrasqueiras eram montadas perto do centro social, e engradados e mais engradados de cerveja iam chegando em carrinhos. Ele observava o jogo atento, até então era a partida que mais tivera que correr. As torcidas se desafiavam, e os times empenhavam-se em jogar como se fosse o jogo de suas vidas.Lembrou-se de 5 anos antes. O bi-paulista do Corinthians e sua democracia, de seus jogadores ídolos principalmente o jogador-doutor com nome de filosofo e o jogador-negro com nome russo, talvez a ultima geração de artistas da bola, coreógrafos do drible, artistas do gramado.Por outro lado, numa final desse tipo não teria que invadir o terreno da fabrica abandonada, e fugir de um enorme rottweiller, saltando o muro desesperado, ralando braços e cotovelos, como ocorreu no começo da partida. Quando se é garoto, parece que não se faz uma valoração correta do esforço, em relação ao bem material desejado, já havia reunido parte do dinheiro para comprar um tênis que era o valor de seu salário mensal. Mas eram muitas horas nos fins de semana, comendo lanche, e sendo xingado quando lento na sua funçao, pela turba ensandecida dos times e das torcidas.Mas em breve acabaria, essa partida selaria o fim.


Veio o fim do primeiro tempo, as torcidas se acalmavam, o pessoal se reunia próximo ao banco, os reservas entravam em campo para brincar entre si. O que O preocupava era que estava empatado 1 a 1. A situação persistindo nisso levaria o jogo a prorrogação, quisá pênaltis, com a quantidade de pessoas que estavam apinhadas ali, poderia correr um grande risco. O pessoal da organização reuniu os gandulas pedindo que tirassem do campo quem não fosse dos times e comissão técnica. Ele sentiu um grande desanimo uma vez que era extremamente chato fazer isso, não se considerando ainda que não sabia exatamente o que cada pessoa ali fazia. Foi complicado, as pessoas foram retiradas, e mesmo assim não escapou de ser chamado a atenção pelo chefe. Um colaborador do outro time, um homem negro, gordo que devia pesar uns 150 kilos, vestido de cima abaixo de branco, com correntes de ouro no pescoço e pulsos, identificou-se como médico e ficou junto ao banco. Na carcada do chefe foi essa a explicação que deu pra deixar o homem dentro do campo, mau sabia Ele que o mesmo não tinha especialidade médica alguma, sequer residência ou quaisquer conhecimentos de primeiros socorros, tratava-se de um medico espírita, afeito as curas místicas e entusiasta dos times que queria ficar em campo.

O segundo tempo correu mais disputado e talvez mais violento que o primeiro. As faltas pipocavam, os xingamentos. As simulações vinham aos montes.E reservas já punham-se a ver o jogo em pé fora do banco. O time visitante fazia pressão, o da casa retrancava-se. As torcidas cumpriam seus papéis. O corpo de juizes era impassível em suas funções. Mas a cada falta eram taxados de “ladrões”, mediante a torcida que se sentia prejudicada. Mesmo firme, O gandula percebia os suores na testa do arbitro, não do calor, mas um suor de tensão, de medo. O mesmo sabia que com o baixo policiamento uma falha sua poria sua pele em risco. Contrario a previsão de todos que assistiam lá pelos 25 minutos do segundo tempo o centro avante visitante, domina a bola próximo ao meio campo, dribla 3 conduzindo a jogada a ponta da grande área adversária e com precisão cirúrgica e olhos de águia lança a bola ao ponta que corria. Lance perfeito, de beleza plástica indiscutível e que nunca será rememorado em programas esportivos, permanecerá emoldurado nas mentes daqueles que estavam ali naquele dia. O goleiro da casa, era um homem esguio e alto, e como não temos replay, podemos contar com nossa imaginação de que o arqueiro esticou-se ao máximo a ponto de sentir na ponta dos dedos sob a luva a bola raspando, e aninhando-se depois no fundo da rede.Esses instantes parecem que escaparam as leis físicas do tempo, em um descontrole quase lisérgico tomou a todos os presentes, para depois no micro-instante seguinte despertar a todos como o q é acordado de um sono profundo com um balde de água fria. Foi uma explosão de gritos, fogos, batuque, em de cobranças ao juiz que não deu um “possível” impedimento.

A esta altura Ele estava suando em bicas, mas não negaria que estava mais tranqüilo de saber que o jogo estava praticamente decidido. Era questão de tempo para todos descerem das arquibancadas e confraternizarem com cerveja e churrasco.Só que muitas vezes não se pode contar apenas com a colaboração do tempo, mas também com um pouco de sorte. A organização do evento levou 3 bolas, faltando 10 minutos, uma delas caiu para além dos muros e não foi encontrada. Minutos depois a outra caiu no córrego vizinho, sem chances de recuperação, sendo o time visitante o autor de tais proezas Ele tornou a pensar que não era apenas ele que queria o fim logo da partida. Já imaginava-se tirando a camiseta azul da organização, pegando seu dinheiro e sumindo dali o mais rápido possível. Até que aconteceu. Faltando 2 minutos para acabar a bola, a ultima que a organização tinha para o evento, foi chutada para longe, mas ainda nos limites de terreno do campo. Ele correu, estava na sua área de reposição. Por um milésimo de segundo pensou, “essa é a ultima”. Ao apanhar a bola, pensou em todos os momentos que sonhou ser craque, em todos os jogos que assistiu. Segurou parado a bola, todos os olhos ali presentes o observavam. Sem pensar, por uns instantes que poderiam ter sido mais breves, jogou a bola ao alto, um pouco a diante, olhando a descer diante de si. A perna direita um pouco atrás acompanhou já esperta para desferir o golpe fatal. Chutou-a com toda vontade, a vontade que teve e não pode extravasar durante os jogos. Ela subiu novamente aos azuis céus do Bom Retiro, alguns viam isso boquiabertos, a batucada da arquibanca prosseguia, e o juiz talvez o único com bom senso, notou a cagada feita ali, principalmente quando a bola aninhou-se no alto de um dos carvalhos.Sabia que não tinha talento essa gafe só foi a confirmação que deveria buscar carreria noutro ramo.

Os segundos seguintes não foram acompanhados por Ele. Ouviu um “O gandula tá comprado!”, e ciente do risco correu para dentro do centro social, escondeu-se por pouco da chuva de objetos que muitos da torcida arremessaram. Para sua sorte outro colega gandula, tinha boa mira, e arremessando um galho seco tirou a bola da copa. A partida acabou neste mesmo resultado, os juizes já treinados a esse tipo de situação saíram rapidamente do campo, resmungos e choros explodiam aqui e ali em meio a alegria dos vencedores. Ele aproveitou a comemoração e trocou de roupa,colocou um boné para não ser identificado, pegou sua mochila com frio na barriga, e procurou em meio a algazarra da entrega da taça, seu chefe. Queria pegar o dinheiro e sumir dali antes de ser reconhecido. O chefe já estava com algumas na cabeça, e falou que tomasse um guaraná e comece churrasco como um bom garoto que ele logo entregaria o pagamento. Juntou-se aos outros garotos, todos satisfeitos com o fim da partida. Logo a carne começava a defumar o ar, e a alegria que só muitas cervejas geladas tem num dia quente tomou conta de todos. O pesado médico-espírita parou na frente Dele, sorriu larga e marotamente, com um sutil toque de deboche falou apenas “ô gandula, não faça dessas em jogo de quebrada senão tu morre.” Ele sorriu tenso e nervoso, pois não queria ser identificado. O medico-espirita agarrou um enorme espeto de carne e mordendo um naco enorme juntou-se a comissão técnica junto de uma mesa. Notou o quanto se passa da tristeza a alegria, da raiva ao lazer num estalo de dedos, principalmente quando jogadores de ambas equipes começaram a pegar os instrumentos e tocar velhos sambas juntos. Ele já era um proto punk rocker, o walkman de fita já estava entre seus pertences na mochila também, mas sabia que nunca deixaria de ser quem era, de saber de onde vinha e de sentir-se satisfeito com a celebração que só momentos como esse podem dar.

dedicado aos irmãos Fonseca, e a todos que acreditam no futebol como uma força social.fotos: google, o copyleft prevalece, mas as fontes deixaram a desejar.

Comments

Lucas Lutero said…
e ai meu caro.
gostei da forma como você consuziu o texto, a forma como você intercalou as descrições tanto dos personagens quanto do cenário leva a imaginação do leitor a viajar, quase que uma viajem no tempo. Lembrei de várias cenas da minha vida na sul, os jogos nos campos de terra esburacados e irregulares. Só acho que o final perdeu um pouco quando você usou a palavra punk rocker, me passou um impressão de "limites", talvez se enquadre no contexto por ser uma mémoria, mas acho que "roqueiro" seria mais aberto ao entendimento do leitor fora deste cirucuito!
Enfim fonseca belo texto..
abraços
Rebeca H. said…
este texto em particular, cheio de tamanho (rs), me deixou encantada pela trilha de sentimentos que percorre. nem um pouco ansioso, pouco a pouco transmite todo o tesão - e desilusão - de se viver o presente de acordo com o que a gente acredita e sonha.
favoritei-te também pqe seu jeito de não entregar tudo na primeira linha é escola.

um beijo.

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