Skip to main content

Pedaços.


Os simulacros desmoronam junto das ilusões dadas como certas.
É preciso lidar com o mundo fora da janela.
Encher o pulmão de fuligem
e tirar de lá o ar para sobreviver.
Abrir os braços.
Gritar com pus nas cordas vocais.
Enfrentar os demônios insones.
Apagar as vozes invasoras de sonho.

Ficar os dedos dos pés, como se fossem raízes anciãs
Ouvir o lamento mineral da terra
No chiado da areia que grita em coral com a água.
Aprender. mais. mais.mais.
Moldado foi o coração duro em concreto
Cheio do magma dos sentimentos
Deixe o passado cego voar e flutuar como plumas
E caia alvejado se for o que tiver de ser
Flexione as pernas
Ponha o olhos no zênite infinito
E que o amanhã venha novo e possível.

Comments

Popular posts from this blog

Sapatos

Estranho como a mente processa a memória e assim nos ofereça respostas. Os tempos são de angústia e ansiedade. As notícias que chegam de todo lado, só fazem trazer desgosto. Houve um tempo, que eu passava incólume por um mundo que se despedaçava, mas não me sinto mais capaz para isso hoje. E talvez a música no ouvido, injete uma porção de nostalgia no coração para que as nuvens mais escuras da alma, abram espaço para a boa sensação. Assim, você se contesta. É como se o homem de hoje, olhasse frente a frente nos olhos do menino do passado.  As importâncias que se transformam. As prioridades que ficam para trás, solapadas por outras cada vez mais pesadas e estruturadas. Na rota intermitente e incessante da vida, que pode virar um enorme triturador de sonhos, se não for conduzida com mão firme. E as soluções nos jogos da mente, brotam, como respostas de pouca duração.  Penso no quanto a maneira de se vestir, e mais especificamente de se calçar tem uma certa importância ...

Contando.

Sentindo como se a jaula fosse romper. E como se eu pudesse correr sem saber a direção. Talvez o trabalho não seja ruim como se pretende. Ou seja demais para se acreditar. Fato é que o medo aperta seu estômago até quando se é pela felicidade. O medo derrete a certeza. Na confiança frouxa só o ditado do velho pai. "Cachorro mordido por cobra foge até de linguiça". o relógio corre. sem piedade. foto: rodrigo kristensen: http://rodrigokristensen.tumblr.com/post/8303194050/my-windows-view-of-sao-paulo-taken-with-instagram

o girar das rodas

Olhara o relógio no topo da estação ferroviária. Os dedos das mãos, grossos e enrugados seguraram o aro externo da roda da cadeira, mesmo assim, enfiando-se entre os raios das rodas impulsionando a cadeira para adiante. Os músculos do braço acostumados ao trabalho de fazer o esforço que foram um dia das pernas, nem se apercebem da ação. Mesmo sendo parte de um corpo arruinado pelo tempo e desgaste, tudo funciona, em instinto como as máquinas velhas que nunca precisam de manutenção. A palma da mão seguindo o plano tão entranhado na mente também nem sentia a textura dos pneus, seguia o trabalho automático, repetido, pragmático. Quando ganhou embalo num pequeno declive da calçada, aproveitou para tirar o cabelos lisos e brancos do rosto. Esses vincos, rugas, feridas do tempo, encaixavam-se bem enquadrados na velha moldura do rosto. Olhos que á tudo percebiam, que tudo registravam no movimento das ruas. Parecia talhado na madeira, como carrancas ancestrais, só que sem o aspecto fabuloso, e...