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a invenção do amor.

Foi numa manhã de domingo. Havia sol, e uma brisa suave que passava pelas frestas da janela. Quando abriu os olhos o quarto ainda era o mesmo de sempre. O colchão no chão, os poucos móveis dispostos como sempre nos mesmos lugares. No carpete as embalagens de preservativo rememoravam alguma coisa sobre a noite passada. Ele se move, ficando de barriga para cima,um braço no abdômen outro por trás da cabeça. Fica uns bons minutos divagando e observando a lâmpada no teto, sem ter nenhuma ligação com seus pensamentos. A companhia ainda estava lá. Ele pensa, no possuir, e não ter. E as propriedades inversas das relações. Do dilema do quanto de se trepar, tendo por outro lado que acordar com alguém que não se quer do lado. A garota respirava baixinho, e buscava sua mão, um abraço de conchinha, um chamego que valesse para completar a imagem boa que se pode ter de uma manhã de domingo. Ele estava incomodado. Não era algo por demais exagerado, mas que não andava no ritmo de sua dialética pessoal. Ele escorregou a mão dos dedos dela. Sentia seu espaço invadido. Já havia conseguido o que queria (e isso incluía o que ela queria também), na ordem metódica de seu raciocínio, o orgasmo acompanha o tilintar da chave na porta que dá acesso para a rua. Por outro lado, por mais cafajeste (nas palavras de outra de suas parceiras) não pôde deixá-la na rua sem condução, para atravessar a cidade. E sozinha, pois a última de Suas intenções era acompanhá-la até em casa, isso, absolutamente fora de cogitação. Em plena madrugada ainda... “Uma trepada bem cuidada, é uma trepada que se repete” Ele ri consigo próprio observando a lâmpada, e se imaginando como um samurai moderno, montado de cima a baixo, do fio de cabelo, ás frieiras dos pés, por um código de conduta inquebrável. Porém, quebrou uma norma própria. Mesmo imaginando-se ético, pensando zelar minimamente pela segurança dela, esse é o tipo de coisa que Ele luta para que não aconteça. Sempre tem os encontros com o tempo calculado. Da hora de buscar no metrô, a permanência na casa, ás desculpas que levam as despedidas. Algo em suas entranhas se remexe. Não se constitui em algo furioso, mas é como se algo estivesse fora do lugar. Uma refeição indigesta.

O que lhe restava era procurar os chinelos em algum lugar do quarto, a bermuda, e a camiseta e ir preparar um café. “Quem sabe ela se toca e vai embora”. Ao chegar na cozinha, o pequeno gato amarelo, (e em muitos aspectos verdadeiro dono deste lar), mia resmungando por sua refeição matinal. “Se não somos escravos das mulheres somos de nossos bichos”. E o pequeno animalzinho, como que sabendo do que se tratava emite um som que poderia muito bem ser “e quem é o animal desta casa?”. Ele cumpre sua função de serviçal do felino e depara-se com a lata de café vazia. “Uma boa chance para ir até a padaria, e dar tempo para que ela acorde”. Apanha a chave, desce calmamente os degraus e ao sair á rua, presta atenção, sabe-se lá por que, num céu limpo e azulado, enquanto um bando de garotos com bicicletas e bolas de futebol passam por ele correndo em direção ao parque. Morrissey estava errado. Nem toda manhã de domingo é silenciosa e cinzenta, mas domingos em geral são dias chatos e melancólicos. Dirigindo-se para a padaria , ele assovia a melodia com a letra na cabeça “ everyday is like sunday, every day is silent and gray...”. Para na banca, pensa em comprar um jornal, “os domingo são os melhores, tem cadernos especiais, ou seja, mais papel para forrar a caixa de areia do gato. Aliás, o trabalho de um jornalista é produzir toneladas de papel para forrar caixas de merda”. Tateando o bolso, Ele constata duas coisas, o pouco dinheiro, para comprar o que precisa (o jornal ficará para outra hora) e o telefone de outra “ amiga”. Um estalo para reavivar sua memória para o fato de que iriam almoçar juntos e quem sabe depois... Para o “quem sabe depois...” ocorrer era necessário se livrar de um empecilho. Ou alguém, para ser o mínimo polido na elaboração da sentença.

Voltando da padaria, liga a cafeteira elétrica, separa a margarina, a manteiga, a geléia, apanha dois pratos. Pega o pequeno pacote de pães e segue para o quarto. Ao abrir a porta, é automático ver os cobertores no formato do corpo dela. Ele pensa na atração causada pelos movimentos de seu corpo. O caminhar, o jeito como se move, tão sensual e natural ao mesmo tempo. Num mundo onde quase todo mundo interpreta um papel, ela parecia ser autêntica. Neste instante, como se a ficha bate-se no fundo da máquina de azar, lembra-se que estão saindo juntos á 6 meses. Que esta cena era um tanto corriqueira, e que talvez esta seja a real razão do “incômodo estomacal”.

Ela desperta, as mãos pequenas procuram o peito Dele por baixo da camiseta e um toque sutil de lábios é dado. “Adoro quando você me trás o café na cama”, Ele move uns poucos músculos no canto esquerdo do lábio, e diz que “é por isso que faço”. Mentiu. O motivo já esta bem delineado em Seus pensamentos. Sentada, de pernas cruzadas, as mesmas que o seduziram, ela apóia os pratos sobre, põe os pães num prato e começa cortá-los. Ele se levanta para buscar na cozinha as xícaras e a cafeteira. Ele pensa em algumas outras desculpas. Olha para o relógio de pulso, mais 2 horas...Ao passar pela sala, desconecta o telefone. Não podia correr o risco de receber uma ligação que pusesse seus argumentos por terra. No quarto, ela esta vestida com uma camiseta Dele. O logotipo escrito The Smiths, fica sutilmente ondulado, e ele pensa “Adoro estes peitos”. O café desce delicadamente e fumacento para dentro das xícaras. O mastigar conjunto dos pães, o rito matutino que não deveria ocorrer. Ele começa olhar para o relógio de pulso com uma certa freqüência. A pequena refeição termina. Ela o beija, e o acaricia no lugar que homem nenhum recusa. Como a nuvem incomoda no dia de piquenique, suas preocupações vão embora. “Posso chegar atrasado” é o último pensamento racional.

O movimento de vai e vem, leva sua mente para onde não á tempo nem espaço. Ele trabalha sua língua no canto mais quente e úmido do corpo dela, deleitando-se com o odor que o entorpece, com o cheiro que ele conhece á léguas de distância. Só existe tato, temperatura, calor, umidade, tapas, palavrões, arranhões nas costas. A face rubra dela , as gotículas de suor sobre o narizinho arrebitado, o lábio que é mordido...A língua esperta que não usa palavras. Entre gemidos e urros, ouve-se “cachorra”, “puto”, mais pelo instinto primal de ambos, do que por ofensas. Nesta hora não existem pessoas, algo muito antigo do ser humano aflora em qualquer um, a comunicação se estabelece com base nos hormônios. No impacto barulhento das carnes.Do mesmo jeito que as posições não precisam ser ensinadas, elas vem com base em conhecimentos biologicamente transmitidos, a riqueza do não adquirido, da sabedoria da espécie. E o orgasmo chega, ela primeiro, Ele logo depois, jorrando. O corpo sente todos os poros suarem, e uma onda de frescor com a descontração de todos os músculos. Ambos desfalecem.

A realidade volta para a mente Dele, e o mundo volta a ser regido pelo tempo no momento imediato. Ela acaricia suas costas arranhadas e lhe pergunta ao pé do ouvido, “Você pensa em nós?”. Ouvindo algo que não queria, organiza rapidamente os pensamentos. Ela aguarda uma resposta. Ele forja uma risadinha com uma pitada de cinismo e outras tantas de nervosismo, e sinceridade. “Querida, eu adoraria explicar mas, você sabe que não sou de falar muito, daqui a pouco também tenho que ir visitar minha mãe....” Ela continua aguardando.Ele continua usando mais evasivas, enquanto começa a vestir-se novamente.

Nos olhos dela se escreve a palavra “Decepção”. “Você não gosta de mim?”. “Claro que sim, querida, você é especial, é admirável a química que temos...”. “Não estou falando de sexo, estou falando de companhia, amizade, sensações”. “Sim, eu ia chegar neste ponto, de como é bom estar junto contigo, de como é legal dividir momentos...”. “Mas nós nunca saímos, o que faço vez por outra é vir aqui, e treparmos feito animais, não que eu não goste... É estranho, todas as vezes que comentei contigo de sairmos, você desviou o assunto e acabamos sempre aqui”.O novo dilema. A pergunta volta: “Você pensa em nós?”. Ao passo que ela ia falando e exigindo respostas satisfatórias, Seus pensamentos entravam em ebulição e se organizavam de forma a não causar estardalhaços e não ser verdadeiros demais ao saírem da sua boca. Ele, por excesso de confiança, por descrédito ou qualquer outra coisa se esquecia de algo importante, e que ali fazia sentido.As mulheres sentem, as mulheres pensam, e sobretudo elas PERCEBEM muitas coisas. Nos sobe desces de seus neurônios, entre sinapses tortas que buscavam uma equação delicada entre o meloso e um papo furado, sua mente estava em alerta com todas as sirenes e luzes vermelhas acessas. “Ela acha que já é DONA”. Pensava Ele que mulher adora uma aura de influência na vida de qualquer homem. Ele sabia pois havia vivido isso antes, muitas e muitas vezes. Ele não se permitia, e não ia ser agora que ia acontecer. “Sweety, o que temos é lindo, uma relação transparente, livre, sem cobranças. È algo que se pauta pelo que somos, gente de carne e osso. Você de minha parte nunca terá telefonemas chatos em horas impróprias, nunca terá mentira. Você sabe que sempre joguei aberto com você. E sabe que sou uma pessoa que não se pauta por convenções, por isso penso em nós desta forma que falei, amigos, isso é maior que qualquer terminologia.”. Os olhos que ele imaginava ingênuos num primeiro minuto se mostram duros e sérios, talvez mais agora do que instantes anteriores. Um movimento sutil de cabeça se faz, e ela diz, “ Você foge do que quero saber... Nos meses que temos saído, te falei muito de mim e de minha vida, do que gosto, do que planejo, me abri.Você não, esta escondido no seu mundo, nesta máscara egocêntrica que te impede de ver os sentimentos das pessoas.”. “Se algo que fiz te ofende, magoa ou chateia... Podemos mudar, se quiser a coisa chega no fim aqui”. “Simples, não é? Egoísta filho da puta!”.

Realmente ela estava brava, e a escalada se deu na conversa mais rápido que ele pudesse controlar com sua “diplomacia do papo furado”, como denominava seu amigo Sheldon Louco. Ele também estava contrariado, e começando a se irritar com o que lia como histerismo. Ela começou a despejar uma tonelada de ofensas, e tudo que era doce azedou. Ela pegava as roupas com raiva e se arrumava trôpega, colocando mangas erradas e tirando logo em seguida. Ele se restringe ao silêncio e seus pensamentos. “Não discuta, ela já esta fazendo o serviço, indo embora sem você ter que mandá-la”. Se havia algo incômodo, era a presença Dela. Não havia tesão que desse jeito nisso. Seu estômago era um vidente. Ela resmunga e o maltratado fio de paciência dele está para se romper. “Sabe qual é o problema com você?” Ele não responde. “Você além de ególatra é cínico, falso, mentiroso, dissimulado. Incapaz de gostar de alguém. Por que nem você gosta de si próprio. Você não se prende a ninguém, não por que não precise como você pensa, mas por que não consegue. Por que você tem medo, de nós mulheres. Você vai terminar sozinho. No máximo com este gato amarelo que com certeza também não gosta de você”.

Ele coça o queixo. Ensaia uma resposta e se cala.Ele abre a porta do quarto e sai. Ela esta juntado algumas coisas da bolsa. Joga uma fotografia sobre o colchão. “Por que tudo isso?” Pergunta quase que num sussurro, mesmo com todos os músculos rijos. Sentado ao sofá da sala Ele a vê, aproximar-se. “Seis meses não são tempo suficiente para se conhecer alguém, o que você queria de mim? O que esperava?”. Com um ar relativamente calmo a voz feminina se projeta no ambiente. “Nada mais do que lhe dei. Sentimento afeto”. “Sinta-se contemplada”. Ela inflama-se instantaneamente, porém é refreada por um sinal. O indicador em riste Dele diante dos lábios. “Estou em minha casa, não sou obrigado á ouvir seus desaforos e agüentar suas crises. Fale em tom moderado. Aliás, ouça agora, tenho algo a lhe falar”.Ela coloca a bolsa no sofá em nítido sinal de desaforo. “Você me ama?” Ela faz um olhar surpreso. “Alguma vez você soube o que é amar alguém? Eu sim. Já me senti amado. E já me entreguei. Vivi o mais intenso dos sentimentos e me fodi muito com isso. Tenho toda a certeza do mundo que não é o que sinto por você agora. Na verdade me perguntou se penso em Nós. Não existe isso.Eu penso sempre na primeira pessoa do singular. Eu me pergunto agora o que se passa pela sua cabeça. Se gosta tanto de mim assim, deveria não fazer o que me agride. Não sou masoquista, não gosto de apanhar.As pessoas sentem atração e usam amor para denominar isso. As pessoas sentem carência e dizem amor.Vulgarizaram o termo em prol de situações sem importância. Dizem que amam, mas apenas sabem prender umas as outras e sugam a juventude um do outro, em prol de uma “parceria” de uma “cumplicidade”. Juntam-se como sócios na compra de bens para depois rachar no divórcio. Buscam sempre anular a individualidade do outro. Moldá-los á sua imagem, semelhança e gosto. Cerceiam o espaço alheio, controlam as vidas um do outro.Isso não é amor. Encanam com a traição, traem a si próprios, seus desejos, não o outro.Isso é mesquinho.O que é amar? Você sabe que sou historiador. E digo para você que esta conversa, este tom romântico que guia as vidas das pessoas não tem muito tempo na existência da humanidade. Foi inventado.Assim como inventaram Deus, Assim como você inventou que sente algo por mim. Somos animais. Comemos, bebemos, defecamos, trepamos. O que nos torna especiais é a capacidade de sentir além do instintivo, além do racional.É um equilíbrio de forças maiores que pode imaginar. E ele vem sem explicações. Não se aprende.Cresça garota. Olhe ao redor, principalmente para si própria. Não tente enjaular o que gosta. Esse meio tempo que estou com você, tenho trepado com uma meia dúzia de garotas que me satisfazem cada uma a seu modo.Não que eu não sinta nada por elas, mas é uma troca assim como foi com você durante todo este tempo. Sei que depois disto nunca mais vai aparecer, que vai me odiar, mas é o preço que pago.Infelizmente não dou a mínima para você, agora se me dá licença eu preciso ir trabalhar...”.

“No domingo?” Ela percebe a contradição. “E sua mãe? Vê como mente? Me poupe de tudo o que diz. Você inventou isso para que eu vá embora. De certo já tem o que fazer.Cheguei a minha conclusão você é doente.”. Ele solta um suspiro de cansado e a vê descer as escadas com passos nervosos rumo a saída.Ele a acompanha com as chaves nas mãos. Ao passar pela porta ela o esbofeteia. “Este é meu beijo de adeus meu amor”.E se vai rumo ao metrô. Ele entra sentindo o rosto em chamas. Senta-se novamente no sofá, e olha para o gato que o mira fixamente. “Você não entenderia...” Ele sabe que o choro dela ao chegar em casa, será muito mais doído que o tapa. Sente-se como um destruidor de sonhos, mas antes isso que uma falsa promessa. Em seus pensamentos já havia dado o que podia. Mesmo que usando de um teatro pessoal. Enquanto ela fez de conta que não queria mais que uma trepada, Ele fez de conta que não sabia. Cada um arca com as conseqüências de seus atos. Transcorrem-se 6 meses para ambos e Ele não se dá conta de que pequenas coisas trazem grandes cargas de importância. Ao chega ao quarto, vê a foto sobre a cama. Ambos estão abraçados numa festa de um amigo em comum Prende-a no quadro de cortiça, com o alfinete no rosto dela. “Talvez eu sinta saudade”.

Pega a extensão de telefone que fica nos eu quarto.Sem sinal.Corre até a sala conecta o cabo e disca o numero do atendimento digital da secretária eletrônica.”Maravilhas da tecnologia”. Uma chamada não atendida. Pela gravação deduz que é do meio tempo onde estava ocupado discutindo e tentando se livrar da histérica. Ele sorri, imaginando o encontro e como explicará o rosto vermelho.Como é sexy a voz da atendente.Um sinal eletrônico. “Alô? Faz dias que quero lhe falar. Estou saindo com outra pessoa. Você foi muito legal, mas não me completa. Preciso de uma metade e acabei achando. Apesar de tudo o que curtimos juntos, não confio em você, mas como sempre frisou que é sincero, topei sair para falar isso no cara a cara. Estou feliz. Estou amando. Não se chateie por favor. Uma hora almoçamos juntos,me expresso melhor e quem sabe eu o apresente para você. Beijo!” . A ligação acaba e também vem uma sensação de fim de dia mesmo antes da tarde chegar. O estômago se remexe mais uma vez.Podia até ser fome. Ele clica no cd player e o disco gira cantarolando “Love will tear us apart”. Largado no colchão constata em poucas palavras. “O amor vai nos separar, novamente, a todos nós”.

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