A liberdade é algo a ser conqusitado. A liberdade é algo a ser trabalhado em prol do bem estar da nossa sociedade. Essa sociedade falha, torta, desigual, mentirosa, antidemocrática, dentre mil outros defeitos, e que vivemos. Afeiçoar-se as pessoas é também se afeiçoar em parte ás suas idéias e visão de mundo. A formação do indivíduo social evoca a passagem de seus variados círculos de convivência e a influência destes na formação de seu caráter. Foi dito aqui “influência” não “determinante”.Eu posso ter uma mãe crente e ser ateu.Ainda assim chorar com a morte de um amigo, não aceitando a força imutável da morte, sem acreditar na ressureição, na clonagem, em minha memória ou o que o valha. Acredito numa sociedade ainda ideal, longe das mais variadas fomulações de transfomação e redenção revolucionária, em até certo ponto irrealizável, mas como homem me coloco alinhado com meus anseios e sonhos. Na prática do dia a dia, penso no como as idéias que tenho podem ser postas no pragmático do meu tempo. O que é realizável, o que é que funciona enquanto idéia, teoria ou posicionamento.
Todos somos iguais. Todos somos diferentes. Nossas similaridades e disparidades são o que nos aproximam e nos separam. Mas antes de tudo isso, vejo como único padrão qualificável, que me una a você, ou alguem no Alaska, ou na China, na África, ou numa estação espacial é que somos humanos. Múltiplos. Muitos.Iguais e Díspares. Ciente sou de tudo isso, que me afasto e que trabalho dentro de uma lógica forjada nas minhas percepções que por sua vez me alinhou com o conjunto de idéias que acredito. Torno a pensar na liberdade. É possível pensar em ser democrático, se meu outro em autoridade não me reconhece nesse princípio básico de diferença? Posso me camuflar na bobagem de dizer que sou um livre pensador e me desprender da responsabilidade mediante a dançar entre um discurso e outro? Todos respondemos ao discurso, falamos mediante a idéia, nossos interesses ou o grupo que fazemos parte. Amparar-se num posicionamento dúbio tem um nome. Existe um termo para isso. Covardia.
Ter vindo do nicho de idéias que é o punk, e consequentemente de um agrupamento de ideais contraculturais, me ajudou em muito a desenvolver um pensar. Ajudou-me a ver que o mundo, não é apenas preto e branco. Existem pouquíssimas coisas que são “certas”, por sermos e vivermos como seres fadados á incerteza. Nada e tudo é tão simplista. Eu me reconheço no outro. Sendo assim eu me reconheço na empregada doméstica que acorda as 4 da manhã pra lavar cueca de bacana nos Jardins. Eu me reconheço (como ser humano e não em idéias) no filho da puta que explora seus funcionários por uma merreca de pagamento mensal. Mas será que todos têm esse pensamento mínimo de reconhecimento? Eu aprendi a ver os mais fascistas disfarçados em roupas negras libertárias. Nos que professavam a teroria comunista, acreditarem numa via assassina de implementação. Eu aprendi a não rir de piadas racistas por que elas camuflam uma cordialidade escrota, mesquinha, que é aparentada de quem tem esse país nas mãos desde os anos mais antigos. Uma coisa é ser “politicamente correto’ e não é isso o que evoco aqui, isso é tão vulgar e vazio em propósito quanto ONG´s assistencialistas. Eu não creio numa via “humanística” única, para usar as palavras de um que é tão díspare de posição quanto eu “o homem é movido por seus interesses”, e não vou assinar pelas brutalidades de outro em prol de meu sonho de humanização. Acreditar em minha humanidade não me faz títere de um mar de calhordas que pode se aprorpriar facilmente de um discurso e me incluir em seu grupo.
É como se as pesssoas não pensassem no significado das palavras. No transcorrer do tempo, e na apropriação das mesmas pelos mais variados grupos sociais. Novos significados são atribuidos as palavras, por outro lado, seu valor inicial, seu peso de signifcação arde ali, como a brasa interna de um carvão não apagado. Nessa sociedade, esperar pelo entendimento profundo de certos posicionamentos é querer que os céus se abram e caia uma chuva de chocolate. O signo do vazio perpassa todas as instancias do conhecimento. O midiático é também o imediato, o não acabado e o não critico. Existe o impedimento da reflexão e vende-se as idéias prontas, fechadas, sem confrontação analítica. Uma filologia vaga, que desemboca nas vagas aparências, numa tolerância mentirosa, de um discurso que se apropria deste “livre-pensar”, para se eximir de uma das certezas que comentei a pouco, TODOS, eu disse TODOS respondem pelas suas ações e pelos seus posicionamentos, não existe inserção em grupo se não houver interesse, similaridade ou outra motivação que apóie ou que coloque no mínimo o índiviuo em proximidade com a primeira.
Do mais livre ao mais escravo, existe o discurso, existe o grupo de idéias que se compra. Eu posso ser vegetariano, não me drogar, não beber, não ser racista, não ser homofóbico, apoiar as iniciativas feministas e simpatizante de idéias radicais de esquerda e ser um grandissímo filho da puta. As instâncias do pensamento e da articulação das idéias podem vir á tona em situações extremas, mas a convivência imediata esconde atraves de gestos gentis, sorrisos largos a escrotidão de caráter, a mesquinhez de um posicionamento sujo e egoísta. As aparências são muito pouco. A lápide de bronze e mármore reluzente não mostra a podridão da carne e exposição dos ossos no túmulo. Há anos este ideário do “livre pensar”, presta um deserviço a nossa sociedade. É o tipo de idéia que esta presente quando as pessoas se abstraem de traçar opinião quando convocadas. É o tipo de idéia que ampara os que querem levar vantagem gerando os milhões de gérsons, espertalhões e impositores de uma moral doente.E a camuflagem social permite ver as situações sobre o prisma da convivência imediata. Eu digo não a diatdura consensual, mas acredito na convocação da opinião Lembremos, “as pessoas são movidas pelos próprios interesses”, não estranhe se aquele seu vizinho simpático, abusava sexualmente da empregada, ou se ele se professa um reacionário de direita que matou gente na ditadura militar. Ele estava alinhado com seu discurso, mas te dava bom dia todas as manhãs no elevador. O que não é tolerável, é que quem se “proponha” livre-pensador, ponha-se numa mesa de bar alegremente com seu novo amigo racista. Escolhas deste tipo tem peso. Quem se propoe nazista, antisemita, nacional-socialista tem que arcar com o peso de suas idéias e de convivência. Não vai ser nenhum bom sorriso que vai me unir a gente assim. Como já dizia um texto que li anos atrás, mesmo a liberdade de expressão, não é inteiramente livre. Liberdade é muito diferente de libertinagem. Um conceito se amarra na responsabilidade o outro no desprendimento. Eu opto por ser responsável e, sobretudo fiel á minha consciência. Quem é “tolerante” também tem sua responsabilidade. Ela é cobrada. Você não mata, mas é o cumplice e confidente em silêncio, e se torna o principal suspeito quando o mundo vem abaixo.
Sem delongas quanto a fluidez de nossa sociedade, e pulverização das instituições.Sem delongas quanto á ser um homem “amoral”. Se Nietzsche, aponta para o super-homem acima das instiutições e senhor de sua vontade, ele também correspondia a suas próprias idéias e grupo. Melhor, ele respondia ás próprias ações. Eu me vejo humano, demasiadamento humano como ele para ser tolerante ou conivente com as merdas do mundo. Questões são práticas. Eu já vi com meus olhos, pessoas andando com suáticas em suas roupas. Eu já ouvi de meus ouvidos o relato de quem já foi pego na rua por um destes.Isso me coloca imediatamente em posição quanto ao que acredito. Eu não me agrego com quem desprezo, assim as coisas vão continuar par mim até o fim dos meus dias. Tanto quanto eu, eles estao cientes do lado em que se posicionaram, mas os tolerantes, os covardes, os que se camuflam, logo terão de mostrar á que vieram, ou lamento, terão/serão incluidos num grupo se não tiverem culhões, lingua para assumir um lugar, principalmente longe de mim.
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