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entre a possibilidade, o inesperado e o inesperado da possibilidade

Ela estava numa mesa do outro lado do bar
Sentada com uma amiga rindo de minha barba
Testei-me na cara de pau e ri sem graça
Ela me desafiava com o sorriso, num cochicho com a outra
Fui criando coragem á goladas compulsivas de refrigerante
Alguém somou-se a mesa delas, enquanto amigos meus percebiam o flerte e riam
Não quis desacreditar e fiz-me de corajoso
Indiferente á minhas estratégias não realizadas e paranóias

Ela me sorria, me convidando com olhos mudos a entrar em seu mundo
Seria uma chance á possibilidade?
Testes inesperados do julgamento da vida que põem abaixo minhas certezas?
Era a festa de um amigo e nada em volta fazia sentido com aquele olhar em mim
Fui ao banheiro conversar com meu bagos e busquei coragem olhando-me no espelho
Ao sair de lá fui até sua mesa
Ninguém ocupava a terceira cadeira, e me ofereci com um sorriso descarado
Indo á partir dali da conversa fiada á pseudo-erudição

Ela quis saber mais do que o sabor de minha boca,
Surpreendeu-me com um corpo que não rejeitou meu toque
Transitamos em viagens de memória de mundos que não conhecemos
E nada fazia mais sentido do que conversar a noite toda
Fosse ou não sua atenção mais bela, pela atenção ébria de um sábado á noite
Assim foi, acompanhamos a amiga até em casa
Num comentário sobre o vento frio, aqueci-a com meus lábios
Invadiu minhas memórias e preferências, conhecimento cutâneo de uma noite que pode ser

Ela se aninhou em meu peito, me riu sincera de minhas piadas sem graça
Seguimos para um café, abrindo vidas á líquidos quentes que sorvíamos rapidamente
Tudo parecia tão inesperado e possível, tudo parecia impossível se fosse esperado
Ela recebeu minhas mãos junto ás dela, talvez estudando-me como é seu ofício
Fomos á rua, caminhamos abraçados com uma familiaridade assustadora
Árvores balançam, beijos sem medo, pássaros cantam, como um presente a manhã vindoura
Não sei onde estou indo, o que estou fazendo, o possível não se mostra é descoberto
Ínfima parte é do controle, que não tenho mais, depois do que senti nesse caminhar

Ela pediu o aconchego de meu abraço, cheirou meu pescoço
Servindo me de seus olhos vívidos, quis meu retorno para uma outra hora
Transitamos trôpegos, rindo do nascer do dia e de nossa solidão na cidade monstro
Enfim chegamos á sua porta, na minha mente sua frase: “não há quem cuide de mim”
Fiquei ali, até que sumisse casa adentro depois do último beijo.
Ainda me pergunto como acontece isso. Se não estou tão certo quanto penso.
No meu caminhar aprendi diversas coisas, que talvez a razão não contemple
Indo ao meu lar rindo, sem esperanças, mas feliz do momento que pode nem vir nem voltar


"por que o guerreiro de fé nunca gela". um brinde ao deleite da possibilidade, quando a expectativa ingênua é rasgada pela maturidade, diante das lições das cicatrizes.

Comments

maoslivres said…
não há certezas, só possibilidades



e é assim q é!!!porque é assim q tem q ser...
Caio said…
excepcional...

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