Esses dias onde acordo de noites mal dormidas, com mínimas horas de sono. Vejo os sinais de que minha juventude se esvai. Em como a biologia vai assinalando a velhice numa olhada no espelho, das rugas ao lado do olho e de onde o rosto ficará vincado Lembro dos protestos de rua que presenciei, e dos primeiros shows de hardcore onde eu não era mais publico. E em como alguns passaram em poucos anos do lado que carrega o cartaz, para o lado que avisa os policiais. No entusiasmo eu berrava o incomodo de minha alma, e em certa medida continuo fazendo.Com minha bermuda camuflada e camisetas pretas, com o cabo do microfone enrolado no meu pulso.Busco a fórmula sem saber passar isso adiante. Tudo isso parece um álbum continuo de fotografias que vão e vem no fluxo de memórias.
Manter-se jovem é manter o espírito. Não é render-se á uma mentalidade reacionária, que negue o que você acredita em troca do que o padrão vigente de comportamento considera “maturidade”, ou pior “aceitável”. Não é conservar, é ter percepção do que fica, do que muda, do que se precisa e do que se desvincula.Eu acho que os novos estão mortos. Muito mais que os velhos. Muito mais que os cadáveres que adubam a terra dos cemitérios. Ser jovem. Pense. Até 100 anos atrás você nem era considerado criança quando nascia. Até 50 anos atrás você podia ser criança, mas com dezoito era adulto, casava-se constituía família com a mesma responsabilidade de um “ancião” de 40. E do mesmo jeito que nossa cultura ocidental “criou” o jovem, chegou a hora dela matá-lo. O senso crítico, o embate de gerações, é minado. A cada nascer de uma nova leva, mais contadores, engenheiros, padres e advogados vão tocando os negócios tradicionais da família. Cada vez mais treinados ao mercado, ao apuro técnico e descobertas desvinculadas da busca, o “jovem” morreu. A juventude já está nascendo velha.
Deprimente não é? Eu vejo seu potencial contestatório nulificado pela cultura de massa, e por dar espaço á uma mentalidade mais reacionária e preconceituosa possível. A paixão que move os ideais, e que rejuvenescem a busca pelo novo, pela cristalização de uma crítica se esvaírem na nuvem do consumismo desenfreado.Não há mais a paixão, a centelha que pulsa. O beijo sem medo. Existe o tesão automático e o abraço sintético.Tranqüilos demais, conformados.Sua paixão e desejo são redirecionados, roubados e postos a serviço da máquina capitalista. São apenas o toque polifônico do celular, a camiseta da torcida organizada e as santinhas patenteadas no Santuário do Terço Bizantino, e alguma celebração aeróbica.
Ser insubmisso e rebelde tem um preço. O preço é o desafio diário de vencer o tempo, é o desgaste de dobrá-lo com sua força de vontade e saber conduzir este touro bravo com as próprias mãos. Ser maduro não é ter argumento para lição de moral, nem tantas histórias na memória pra lembrar-se nos últimos dias. É, sobretudo ter discernimento, paciência, coisas que a juventude consegue quando deixa de ser juventude. Por outro lado maturidade pode ser esfuziante como o brilho de fogo nos olhos.Te dá o prazer de se reinventar. Quando não se deixa mumificar sob as conveniências da vida. Eu luto por isso todos os dias. Para não me entregar à senilidade antes do tempo certo. De tentar não ser absorvido por um pensamento que me esconda na escuridão de uma idéia vazia.
Eu caminho pelas ruas e penso o quanto eu esperei para trepar. Para ter 18 anos e pode comprar, usar o que quisesse. Em como fui covarde nas minhas confrontações, ou lento nas escolhas. Penso na satisfação quando podia mirar o fundo dos olhos de meus pais e dizer “Não, não quero”. Eu tenho ainda o anseio pela descoberta, a ansiedade e uma certa dose de temor. Entre a troca de meus passos eu vejo milhares de garotos e garotas deixando de experimentar o que podem. A vida pulsa violentamente e não espera, muito menos volta com as emoções. Eu penso nos desvios estranhos que a explosão da juventude pode tomar. A cooptação das religiões, a negação do prazer. A culpa, o mecanismo mais perfeito de controle. A lavagem cerebral das correntes políticas. A cobrança do tecnicismo vulgar, de uma carreira que eles não querem combater. “We don´t need your education”... Tijolinhos e mais tijolinhos sobre o muro, cada um em seu lugar. Prontos para virar salsicha na máquina.Hoje a obrigação do jovem é aceitar o mundo.Alunos aspirantes á policiais. Noviças filhas de ateus. Pequenos punks sem discurso. Fazer sua manutenção para que tudo permanece no lugar. Nossos pais falharam tentando, nossos filhos por não saber. Não sou pessimista. Eu ainda acredito. E não serei um pequeno homem médio. Sou ciente que sou um espécime raro e ponho aqui essa visão torta e incompreendida. Vivemos os últimos dias de uma era. E mesmo que voe não acredite, estou entre os que fecharão á porta e apagarão as luzes.
Manter-se jovem é manter o espírito. Não é render-se á uma mentalidade reacionária, que negue o que você acredita em troca do que o padrão vigente de comportamento considera “maturidade”, ou pior “aceitável”. Não é conservar, é ter percepção do que fica, do que muda, do que se precisa e do que se desvincula.Eu acho que os novos estão mortos. Muito mais que os velhos. Muito mais que os cadáveres que adubam a terra dos cemitérios. Ser jovem. Pense. Até 100 anos atrás você nem era considerado criança quando nascia. Até 50 anos atrás você podia ser criança, mas com dezoito era adulto, casava-se constituía família com a mesma responsabilidade de um “ancião” de 40. E do mesmo jeito que nossa cultura ocidental “criou” o jovem, chegou a hora dela matá-lo. O senso crítico, o embate de gerações, é minado. A cada nascer de uma nova leva, mais contadores, engenheiros, padres e advogados vão tocando os negócios tradicionais da família. Cada vez mais treinados ao mercado, ao apuro técnico e descobertas desvinculadas da busca, o “jovem” morreu. A juventude já está nascendo velha.
Deprimente não é? Eu vejo seu potencial contestatório nulificado pela cultura de massa, e por dar espaço á uma mentalidade mais reacionária e preconceituosa possível. A paixão que move os ideais, e que rejuvenescem a busca pelo novo, pela cristalização de uma crítica se esvaírem na nuvem do consumismo desenfreado.Não há mais a paixão, a centelha que pulsa. O beijo sem medo. Existe o tesão automático e o abraço sintético.Tranqüilos demais, conformados.Sua paixão e desejo são redirecionados, roubados e postos a serviço da máquina capitalista. São apenas o toque polifônico do celular, a camiseta da torcida organizada e as santinhas patenteadas no Santuário do Terço Bizantino, e alguma celebração aeróbica.
Ser insubmisso e rebelde tem um preço. O preço é o desafio diário de vencer o tempo, é o desgaste de dobrá-lo com sua força de vontade e saber conduzir este touro bravo com as próprias mãos. Ser maduro não é ter argumento para lição de moral, nem tantas histórias na memória pra lembrar-se nos últimos dias. É, sobretudo ter discernimento, paciência, coisas que a juventude consegue quando deixa de ser juventude. Por outro lado maturidade pode ser esfuziante como o brilho de fogo nos olhos.Te dá o prazer de se reinventar. Quando não se deixa mumificar sob as conveniências da vida. Eu luto por isso todos os dias. Para não me entregar à senilidade antes do tempo certo. De tentar não ser absorvido por um pensamento que me esconda na escuridão de uma idéia vazia.
Eu caminho pelas ruas e penso o quanto eu esperei para trepar. Para ter 18 anos e pode comprar, usar o que quisesse. Em como fui covarde nas minhas confrontações, ou lento nas escolhas. Penso na satisfação quando podia mirar o fundo dos olhos de meus pais e dizer “Não, não quero”. Eu tenho ainda o anseio pela descoberta, a ansiedade e uma certa dose de temor. Entre a troca de meus passos eu vejo milhares de garotos e garotas deixando de experimentar o que podem. A vida pulsa violentamente e não espera, muito menos volta com as emoções. Eu penso nos desvios estranhos que a explosão da juventude pode tomar. A cooptação das religiões, a negação do prazer. A culpa, o mecanismo mais perfeito de controle. A lavagem cerebral das correntes políticas. A cobrança do tecnicismo vulgar, de uma carreira que eles não querem combater. “We don´t need your education”... Tijolinhos e mais tijolinhos sobre o muro, cada um em seu lugar. Prontos para virar salsicha na máquina.Hoje a obrigação do jovem é aceitar o mundo.Alunos aspirantes á policiais. Noviças filhas de ateus. Pequenos punks sem discurso. Fazer sua manutenção para que tudo permanece no lugar. Nossos pais falharam tentando, nossos filhos por não saber. Não sou pessimista. Eu ainda acredito. E não serei um pequeno homem médio. Sou ciente que sou um espécime raro e ponho aqui essa visão torta e incompreendida. Vivemos os últimos dias de uma era. E mesmo que voe não acredite, estou entre os que fecharão á porta e apagarão as luzes.
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foda o desperdício de energia q boa parte de nós, jovens, cometemos